Depressão na menopausa pode ser tratada com fitoestrógenos.




Queixa cada vez mais comum nos consultórios do país, a depressão vem aumentando entre as mulheres na menopausa. A doença, que atinge hoje cerca de 30% das mulheres no climatério, decorre da queda dos níveis hormonais do estrogênio. Este hormônio é importante para a manutenção da função da célula nervosa (neurônio) e, conseqüentemente, para a transmissão dos estímulos cerebrais. Na menopausa, ocorre a falência dos ovários, diminuindo a produção de estrogênio e, conseqüentemente, afetando as funções neuronais, levando a quadros de ansiedade, depressão, insônia, perda da libido e fogachos. Em casos mais intensos, apatia e pensamentos suicidas podem ser desencadeados por pacientes que apresentaram uma pré-disposição ao longo da vida.

“As mudanças sociais pelas quais a paciente está passando neste período também serão importantes: a vida profissional, afetiva e familiar (numa idade em que os filhos já estão criados e possivelmente se emancipando), seu relacionamento com amigas e colegas da mesma faixa etária, atividade física e exercícios, realizações e aspirações e, principalmente, sua visão pessoal da própria menopausa”, explica o ginecologista Décio Luis Alves, do Serviço de Ginecologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.

“Dependendo desses fatores, o resultado final poderá variar de um simples incômodo a alterações graves da personalidade, que poderão inclusive demandar uma psicoterapia.” Entre os principais sintomas da depressão estão a irritabilidade, alterações do humor, cansaço, insônia ou hipersônia, ganho ou perda de peso, falta de motivação ou de concentração e perda de memória. “Acredita-se que, num futuro próximo, a depressão na menopausa atinja 60% das mulheres”, revela o professor Hans Halbe, livre-docente de Ginecologia e Obstetrícia e diretor executivo do Centro de Reprodução Humana Governador Mário Covas do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo o professor, um dos tratamentos utilizados para aliviar esses sintomas é o consumo de soja. “A soja contém fitoestrógenos, que exercem ação nos neurônios. Acredita-se que eles estimulem a neuroproteção contra os fatores tóxicos (radicais livres, excesso de glutamato na sinapse neuronal), melhorando a função neuronal. Isso favorece a estabilidade do humor”, explica. “Quando as pacientes utilizam fitoestrógenos que as fazem sentir-se melhor, como o gérmen de soja, a sensação benéfica que decorre desse uso é efetiva no combate ao estado negativo induzido pela depressão.”


A vantagem dos fitoterápicos em relação à terapia convencional é a baixa freqüência de efeitos colaterais, tais como aumento de peso, varizes, alterações vasculares, inchaço mamário, sangramentos uterinos e menor possibilidade da produção de câncer de útero e mama.

O Dr. Décio Luis Alves salienta que as alterações graves de humor e a depressão devem ser abordadas com antidepressivos e psicoterapia. “Entretanto, tais quadros se apresentam em pequeno número de indivíduos, podendo o gérmen de soja ser utilizado como coadjuvante.”


Em países desenvolvidos como Canadá, Alemanha, Japão, China e Suíça, explica Halbe, os responsáveis pela Saúde costumam estimular o uso de fitoterápicos. “A população daqueles países prefere os nutracêuticos, ou seja, alimentos que nutrem e ajudam a curar: é a medicina ecológica.”


 



Luciana Juhas – jornalista.
Voltar a lista de entrevistas
 





Visualizou o selo site Blindado? Navegue tranquilamente, esse site está PROTEGIDO CONTRA HACKERS. Realizamos diariamente milhares de testes para garantir sua navegação segura. Clique no selo e confira nossa certificação.