ESTUDO COMPROVA OS BENEFÍCIOS DA ISOFLAVONA DO GÉRMEN DE SOJA NA MENOPAUSA
Dra. Eliana Petri Nahás - profª do Deptº de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP




Dra. Eliana Petri Nahás - profª do Deptº de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP e membro da Sociedade Brasileira de Climatério e Menopausa, realizou estudo com o ISOSOY, gérmen de soja. À seguir, ela explica como a mulher pode passar com tranquilidade por essa fase tão delicada, buscando na natureza o equilíbrio hormonal, a partir do uso da isoflavona encontrada no gérmen de soja.


1- Dra. Eliana como foi realizado esse estudo sobre a isoflavona do gérmen de soja?
O estudo foi realizado em um grupo composto por 50 mulheres na pós-menopausa, com contra-indicação à TRH convencional. O grupo foi dividido em dois: 25 mulheres tomaram a isoflavona e as outras 25 tomaram placebo. As pacientes não sabiam se estavam tomando placebo ou isoflavona.

2- Qual foi o período desse tratamento? Quantas mg/dia do gérmen de soja foi ministrado? Como foi a orientação para ingestão dessas mg (dose única ou intercaladas nas refeições)?
Durante 06 meses, 25 pacientes receberam 60mg de isoflavonas de soja na forma de 04 cápsulas ao dia de 500mg de gérmen de soja, divididas em 02 caps. pela manhã e 02 à noite.

3- Qual o resultado do seu estudo sobre o tratamento com a isoflavona do gérmen de soja?
Aquelas mulheres que fizeram uso da isoflavona apresentaram melhora completa dos fogachos e da secura vaginal. Foi constatado ainda que, com o uso da isoflavona, os níveis de LDL (mau colesterol) foram reduzidos e os de HDL (bom colesterol) aumentaram. A utilização da isoflavona diminui a intensidade e a freqüência das ondas de calor em 50% das pacientes. Proporciona benefícios para o sistema cardiovascular, pelo efeito favorável sobre o perfil lipídico, reduzindo em torno de 10% os níveis de LDL (mau colesterol) e elevando o HDL (colesterol bom). Parece ter efeitos benéficos sobre a atrofia vaginal (secura). Em algumas pacientes observa-se manutenção ou até ganho de massa óssea. Não provoca alterações no peso corporal ou na pressão arterial. Também, não se observa efeitos sobre o endométrio, não provocando sangramentos. Apresenta boa tolerabilidade, com poucos efeitos adversos, constituindo-se alternativa para a mulher em menopausa.

4- Para quais casos é indicado o tratamento com a isoflavona do gérmen de soja?
Algumas mulheres na menopausa convivem com a Síndrome do Climatério, mas não podem fazer a reposição hormonal convencional. Histórico familiar de câncer de mama (mãe e irmã), casos de câncer de mama ou de endométrio recente, trombose venosa aguda e aquelas com intolerância à TRH convencional edema, ganho de peso, mastalgia (dor nas mamas) e cefaléia estão impedidas de realizarem o tratamento e devem recorrer a terapêuticas alternativas, como a isoflavona, substância presente no gérmen de soja. Segundo a doutora Eliana Aguiar Petri Nahás, "para as pacientes que apresentam intolerância ou mesmo contra-indicação à TRH convencional, a isoflavona do gérmen da soja traria benefícios para a saúde dessa mulher, em especial naquelas com sintomas climatérios que interferem no bem estar e na qualidade de vida da mulher na menopausa".

5- A isoflavona do gérmen de soja substitui, de fato, os hormônios humanos ou sintéticos?
Não há ainda evidências suficientes para recomendar o uso dos fitoestrogênios como substituto definitivo da TRH convencional para todas as mulheres. Todavia, a isoflavona do gérmen da soja, na dose média de 60mg/dia, induz efeitos favoráveis sobre os fogachos e o perfil lipídico, revelando-se opção interessante como terapêutica alternativa para mulheres em menopausa, com contra-indicações ou intolerância à TRH convencional.

6- O uso prolongado da isoflavona do gérmen de soja pode causar algum prejuízo para o organismo da mulher, como câncer por exemplo?
Ao contrário, pois se sabe que regiões de alto consumo de soja apresentam menor incidência de câncer. Por exemplo, o câncer de mama, cólon, endométrio e ovário são menos freqüentes nos países asiáticos quando comparados aos ocidentais. As isoflavonas poderiam influenciar a proliferação celular, inibindo a iniciação e promoção do câncer.

7- Quais foram os efeitos adversos apresentados nesse estudo com o uso da isoflavona do gérmen de soja?
Durante o seguimento, três pacientes usuárias de isoflavona relataram constipação, duas relataram flatulência e duas náuseas, contudo não houve necessidade de abandono do estudo. Por outro lado, três pacientes do grupo placebo também referiram náuseas.

8- É indicado fazer os dois tipos de tratamentos, ou seja, a TRH convencional e o uso da isoflavona juntos?
Não há indicação da associação de ambos tratamentos. Não há estudos demonstrando benefícios de uma possível associação para a mulher na pós-menopausa.

9- A terapia com isoflavona também é indicada para mulheres mais jovens, ou apenas no período da menopausa?
A ação da isoflavona depende da quantidade de estrogênio disponível no organismo da mulher e o quão saturados estão os receptores estrogênicos nos tecidos alvos. Exemplificando, na menopausa os níveis estrogênicos estão baixos, conseqüentemente os receptores estão vazios. Assim, a isoflavona ocupa esses receptores e promove sua ação estrogênica. Na mulher mais jovem, com os níveis estrogênicos normais e os receptores saturados, a isoflavona não consegue atuar, proporcionando pouco ou nenhum benefício.

10- É verdade que a TRH convencional pode causar até câncer de mama?
Sobre a associação da TRH com o risco de aumentar a incidência de câncer de mama, não existem evidências epidemiológicas, nem experimentais e nem clínicas que demonstrem maior risco até cinco anos de tratamento hormonal. Em dez anos de uso, as evidências demonstram elevação no risco de câncer de mama. Na revista JAMA (julho de 2002) foi publicado os resultados de um estudo multicêntrico, realizado nos Estados Unidos, que acompanhou 16.608 mulheres menopausadas, usuárias e não usuárias de TRH. Com 5 anos de seguimento, encontraram aumento significativo no risco para câncer de mama e doença cardiovascular entre as usuárias de estrogênio associado a progesterona via oral. Esses fato deve ser exposto as pacientes, tomando ela a decisão de continuar ou não o tratamento, tendo em vista os benefícios e os riscos individuais

Dra. Eliana Aguiar Petri Nahás realizou os estudos no fim de 2001, é professora assistente doutora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP. É também co-responsável pelo setor de Climatério e Menopausa e membro da Sociedade Brasileira de Climatério e Menopausa (Sobrac).



Luciana Juhas - Jornalista
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