Tratamento Natural X Sintético para mulheres na menopausa
Dra. Jane Corona e Dr. Hans W. Halbe




Dois importantes médicos esclarecem dúvidas importantes sobre tratamento natural X tratamento sintético para a mulher na menopausa.

Doutora Jane Corona - Médica nutróloga, estudiosa sobre o tema com três livros publicados, Menopausa Natural, Fadiga Crônica o recém lançado Saboreando Mudanças, que traz dicas interessantes de pratos à base de soja.

Veja o que a doutora Jane diz como usuária da soja.
“Até hoje uso a soja como único medicamento, porque tive câncer nas duas mamas, fiz duas mastectomias e um tratamento longo com quimioterápicos. Não posso usar outra medicação e não tenho nenhum sintoma. A eficácia da soja é quase imediata e melhora muito a qualidade de vida das mulheres que como eu, não podem usar outra medicação. Uma onda de calor dura em média 5 à 10 minutos, imagina ter esse desconforto duas vezes há cada hora. Quando esqueço ou fico sem usar dois dias, começo a sentir essas ondas de calor, porque a isoflavona não se acumula no organismo.”

Como a doutora avalia hoje a reposição hormonal sintética versus a natural?
Tenho dez anos de experiência com Terapia de Reposição Hormonal natural. Neste período escrevi os livros Menopausa Natural e o Saboreando Mudanças, sempre falando do meu trabalho com a TRH natural. Como sou nutróloga e, não, ginecologista, não posso comparar uma reposição com a outra. Posso, sim, afirmar que as que fizeram a opção pela terapia natural não querem saber dos sintéticos. Todas se sentem seguras e felizes com a escolha que fizeram. Os hormônios naturais têm pouco efeito no tecido mamário e são uma alternativa segura para quem tem desconforto nas mamas como a TRH feita com hormônios sintéticos. O mais importante é a mulher saber que a escolha é dela e só ela pode avaliar se um medicamento está fazendo bem ao seu corpo.

Doutora Jane, porque a soja é eficaz no combate aos sintomas ruins que acometem as mulheres na menopausa?
Os compostos ativos da isoflavona – substância extraída do gérmen de soja - são a genisteína e a daidzeína. A genisteína tem uma estrutura química semelhante ao estrogênio (hormônio fabricado pelos ovários) que ajuda a modular os receptores de estrogênio do cérebro, ossos e vasos sanguíneos. Nas mamas e no útero onde predominam receptores de estrogênio diferentes, a substância não atua. A dieta ocidental proporciona 5 mg desses compostos que são também encontrados em outras leguminosas. A dieta das orientais, onde a soja é um alimento predominante, oferece mais de 45 mg por dia de isoflavona e, por este motivo, o índice de câncer de mama entre elas é baixo e os sintomas da menopausa não são intensos.

Doutora Jane, como tem evoluído sua experiência clínica com o gérmen de soja?
Atualmente tenho muitas pacientes na menopausa que usam a soja como suplemento nutricional e conseguem também comer soja e outras sementes, como a linhaça, que é rica em ômega-3, várias vezes na semana e elas não precisam usar nenhum outro medicamento.


Doutor Hans Wolfgang Halbe, livre-docente de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), autor do Tratado de Ginecologia e mais recentemente, publicou em parceria com os médicos José Aristodemo Pinotti e Roberto Hegg, o livro Menopausa.

Para o professor Hans, a ingestão do gérmen de soja contribui para que as pessoas tenham menos problemas físicos na maturidade.
O médico relata: “A soja é um nutracêutico, isto é, um alimento que nutre e promove a saúde, prevenindo doenças. Como toda intervenção preventiva implica em longo prazo, é preciso adotar um novo estilo de vida. E quanto mais cedo começa a mudança, mais precoce será o benefício. Os asiáticos são citados como exemplo de estilo de vida baseado na soja. Esse fato traz vantagens no sentido de diminuir o risco de doenças crônico-degenerativas nas populações que utilizam o nutracêutico. No endométrio e na mama, enquanto os estrógenos convencionais estimulam a proliferação e favorecem o desenvolvimento de neoplasia, os fitoestrógenos atenuam ou bloqueiam o estímulo proliferativo, diminuindo o risco de câncer.”

Dr. Hans, quais as principais diferenças e consequências para o organismo da mulher?
Quando se fala em tratamento da menopausa, em geral o início é ao redor dos 50 anos de idade e, o fim, ao redor dos 65 anos. Em doses baixas e utilizando hormônios naturais não há o acúmulo. O que se sabe é que em alguns grupos de mulheres o tratamento hormonal sintético acarreta eventos adversos como, por exemplo, tromboembolismo venoso (a formação de um coágulo de sangue em uma veia localizada profundamente, na maioria das vezes nas pernas. Muitas vezes, parte desse coágulo se solta, “viaja” pelas veias e pára em uma das veias do pulmão, e ocorre a embolia pulmonar) e câncer da mama. Estes eventos são mais freqüentes após 10 ou 15 anos de tratamento, embora possam ocorrer antes.

Dr. Hans, a recomendação de gérmen de soja em cápsula pode ser benéfica? Há contra-indicações?
A única contra-indicação que existe é para quem tem alergia à soja. As pacientes são tratadas de acordo com dois protocolos: a) germen de soja, 2 cápsulas no café-da-manhã e 1 cápsula no jantar, diariamente; b) extrato de soja, 1 colher de sopa cheia (10 a 15 gramas) no café-da-manhã e no jantar (total 20 a 30 gramas diários). A preferência pelo germen da soja deve-se ao fato de o germen conter fatores de crescimento na fração protéica e isoflavonas na fração glicídica. Há uma relação definida entre isoflavonas e fatores de crescimento. Quando se descreve que um produto tem 50 mg de isoflavonas, pode-se pressupor que também contém uma quantidade de fitocitocinas correspondente. Particularmente, não se deve endossar o uso de fitoestrógenos isolados ou de produtos enriquecidos com isoflavonas. O uso de isoflavonas isoladas é um terreno desconhecido, acreditando-se que possam estimular o endométrio, da mesma forma que os estrógenos convencionais.”

Para o Dr. Hans, o bônus do gérmen de soja é a presença de fitocitocinas proporcional à quantidade de isoflavonas.
Assim, não se deve temer eventos adversos decorrentes dos fitoestrógenos presentes no gérmen de soja, pois as propriedades nutracêuticas resultam de efeito conjunto e equilibrado. Em relação aos benefícios, observam-se, a longo prazo, o desaparecimento das ondas de calor, maior trofismo da pele e fâneros, das vias geniturinárias e bloqueio da perda ou mesmo ganho da massa óssea. Acredita-se que, a longo prazo, também possa haver efeito favorável no sistema nervoso e no sistema cardiovascular. Depois da alguns anos de uso, pode-se observar a redução do colesterol com tendência ao aumento do HDL-colesterol, aumento da massa óssea, diminuição da intensidade e freqüência das ondas de calor e diminuição do risco de câncer da mama, colorretal e próstata.


Luciana Juhas - jornalista
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