Nos últimos anos a fibra alimentar vem despertando grande interesse em pesquisas científicas. Entretanto, a investigação do papel das fibras na dieta humana não é nova.
A propriedade laxativa do farelo de trigo era conhecida desde Hipócrates e foi comprovada em 1930.
Nos anos 50, alguns pesquisadores começaram a notar que em coletividades não submetidas aos processos de industrialização de alimentos, os casos de constipação intestinal eram raros ou mesmo inexistentes.
O interesse que existe atualmente acerca da relação entre a ingestão da fibra alimentar e o risco de contrair enfermidades originou-se nas observações de dois médicos ingleses que trabalharam na década de 70 em estudos na África.
Descobriram que os nativos eram habituados a refeições ricas em cereais integrais, verduras, frutas e legumes e que muitas vezes o consumo de fibras alimentares chegava até 150g/dia, enquanto que em países desenvolvidos o consumo chegava a aproximadamente 15g/dia.
Por esse motivo, os nativos não conheciam as doenças gastrointestinais. (São as patologias que ocorrem nos órgãos do sistema digestivo, tais quais: intestino, intestino grosso, intestino delgado, estômago, esôfago, pâncreas, cólon e fígado. Essas doenças são acompanhadas de fortes dores, resultantes da inflamação ou até mesmo deterioração de alguns dos órgãos do sistema digestivo, o diagnóstico só pode ser emitido através de cuidadosa análise dos antecedentes do paciente, visto que através de uma simples consulta, não se pode diagnosticar a precisão da enfermidade. A maior parte dos tratamentos é resultante de um processo cirúrgico, no qual a região infectada deve ser removida, e o paciente submetido a um determinado período de repouso, além de ser acompanhado com uma dieta equilibrada e balanceada, diagnosticada de acordo com a gravidade da situação).
A partir deste ponto, os cientistas chegaram à conclusão que se o homem voltasse à dieta para o qual está geneticamente adaptado, com mais itens vegetais, naturalmente consumiria mais fibras alimentares e menos gordura, trazendo diversos benefícios para a saúde, prevenindo a incidência de câncer e doenças cardiovasculares, que juntas correspondem a mais de 80% das mortes prematuras no mundo.
Existem várias definições para o termo fibra alimentar, sendo que a mais aceita é: “Resíduos de células vegetais que não são digeridas pela parte superior do tubo digestivo do homem, portanto não fornecem calorias. São compostas de celulose, oligossacarídeos, pectina, goma e ceras”. (Trowell e Burkitt, 1986).
As fibras alimentares derivam-se principalmente da parede celular e de estruturas intercelulares dos vegetais, frutos e sementes, estando associadas a outras substâncias, como proteínas, compostos inorgânicos, oxalatos, fitatos, lignina e substâncias fenólicas de baixo peso molecular.
As fibras possuem excelentes propriedades quando os alimentos ingeridos estão em sua forma natural, ou seja, com a casca, pois o cozimento de verduras e legumes, por exemplo, faz com que tenham muitas perdas das quantidades de fibras, podendo perder sua ação e propriedades.
Capítulo 02:Benefícios à saúde de uma dieta rica em fibras
As fibras alimentares são amplamente reconhecidas como parte importante no tratamento e prevenção de diabetes, câncer, distúrbios gastrintestinais, alto colesterol, doenças do coração e obesidade.
As organizações de saúde recomendam dietas ricas em carboidratos e pobres em gordura para prevenção ou tratamento de doenças crônicas. Estas dietas também contêm grandes quantidades de fibras alimentares.
As fibras alimentares podem ser agrupadas em duas categorias, insolúveis e solúveis em água. Esta diferença é importante quando se analisa o efeito da fibra diante do risco de se desenvolver certa doença. Vale lembrar que para as fibras cumprirem seu papel no organismo, é necessário a ingestão de bastante líquido.
Fibra Insolúvel – A ação fundamental desta fibra é a intestinal. Isto se deve à extrema capacidade de retenção de água que elas possuem, pois absorvendo a água disponível, aumentam em volume, distendendo a parede do cólon e facilitando a eliminação do bolo fecal. Interessante ressaltar que ao absorver a água, estas fibras absorvem também eventuais agentes cancerígenos, prevenindo o câncer de cólon.
Devido à sua insolubilidade, elas não são fermentadas pela flora intestinal e, portanto, não são praticamente metabolizadas. Estas fibras permanecem praticamente intactas através de todo o trato gastrintestinal, diminuem o tempo de trânsito no intestino, aumentam o bolo fecal e tornam as fezes mais macias, diminuindo a constipação e tendo assim efeito positivo sobre alguns males, tais como hemorróidas, varizes e diverticulite. Estão presentes principalmente nos cereais, frutas maduras e vegetais.
Fibra Solúvel – O primeiro aspecto importante das fibras solúveis, que atraem água e formam um gel no trato digestivo, é o aumento do tempo de exposição dos nutrientes no estômago, proporcionando uma melhora na digestão dos mesmos, em particular os açúcares e as gorduras. O resultado é uma significante redução dos níveis de colesterol, o que pode prevenir doenças cardíacas e acidentes vasculares cardíacos (AVC).
As fibras solúveis também provocam reações de fermentação, produzindo altas concentrações de substâncias específicas, denominadas de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que funcionam como fonte de energia para a mucosa do intestino e como agentes protetores de várias doenças, como diarréia, inflamações intestinais e do câncer de cólon.
QUADRO DE FIBRAS
Tipo
Fontes
Ações
SOLÚVEIS
Cereais, Frutas
e verduras
Retardo na absorção de glicose;
Redução no esvaziamento gástrico;
Diminuição dos níveis de colesterol;
Proteção contra o câncer de intestino.
INSOLÚVEIS
Verduras
e cereais integrais
Aumento do bolo fecal;
Estímulo ao bom funcionamento intestinal;
Prevenção
de constipação intestinal.
Especialistas em nutrição recomendam de 25 a 35 gramas de fibras alimentares.
Estudos comprovam repetidamente os benefícios à saúde de se consumir alimentos ricos em fibras. Uma dieta rica em fibras ajuda a proteger e prevenir doenças cardiovasculares reduz o risco de alguns tipos de câncer, auxilia na perda de peso, baixa os níveis de colesterol e ajuda a regular o diabetes e a hipertensão.
Embora os principais e mais reconhecidos benefícios advindos de uma dieta rica em fibras sejam a prevenção à constipação e as melhorias nos níveis de glicose e perfil de lipídios no sangue, há outros benefícios que também merecem ser destacados.
Por exemplo, em função de a fibra fornecer massa à dieta sem adicionar calorias, exercendo um efeito de saciedade no apetite, ela contribui para o controle do peso.
Capítulo 03: Principais efeitos fisiológicos atribuídos às fibras alimentares
As fibras alimentares insolúveis, em particular, ajudam a prevenir a constipação pelo aumento de peso do conteúdo intestinal e da diminuição do tempo de trânsito intestinal. Este efeito é melhorado se, em paralelo ao consumo de fibras, o consumo de água também aumentar. Os ácidos graxos de cadeia curta, produzidos quando a fibra é fermentada pelas boas bactérias, são importantes fontes de energia para as células do cólon e podem inibir o crescimento e a proliferação de células cancerígenas no intestino.
Por aumentar a função intestinal, as fibras alimentares podem reduzir o risco de doenças e enfermidades, como a diverticulite ou hemorróidas, e podem ainda ter um efeito protetor no câncer de cólon.
Constipação:
Uma das reclamações gastrintestinais mais comuns e atinge particularmente os mais idosos. As causas mais comuns são dietas pobres em fibras e o uso de medicamentos contendo ferro ou cálcio.
Diabetes mellitus tipo II:
Caracterizado por manter altos níveis de açúcar no sangue. Tende a se desenvolver quando o corpo deixa de produzir insulina ou não consegue utiliza-la apropriadamente. As fibras insolúveis aumentam o conteúdo intestinal que age na diminuição do tempo de contato entre os alimentos e substâncias indesejáveis com a mucosa do intestino, onde a absorção dos alimentos é diminuída, inclusive a glicose.